12 July 2009

ESTAVA A VER QUE NUNCA MAIS...


A equipa do INEM

No meio da paranoia generalizada com a gripe A, o primeiro texto da imprensa portuguesa que não cavalga o "apocalipse":

"Se quiserem ter cuidado tenham, mas não é o fim do mundo apanhar isto. É uma gripe como outra qualquer. Já tive gripes bem piores.

"Se João fosse susceptível de ser assustado nada teria sido pior do que 'a chegada dos astronautas' a sua casa, em Aveiro. Depois de discar o número 808 24 24 24 (Linha de Saúde 24) com receios de ter sido infectado com a estirpe pandémica do vírus da gripe – tinha vindo de Valência (Espanha) e tinha tosse, dor de cabeça e alguma febre – não demorou muito a que chegasse à sua porta uma ambulância do INEM com dois homens vestidos com luvas, óculos, cobertos da cabeça aos pés com fatos brancos especiais, com os pés protegidos para o levar a ele, que nesse dia até estava com menos febre do que no dia anterior".

"A crítica é comum: Não é nada como dizem nos jornais. Não é nada do outro mundo. Os jornais é que alarmam as pessoas, palavras de André. Toda a gente vai tê-la. Não há volta a dar, mas uma pessoa saudável não morre disto, avisa João".

(2009)
SÓ COM RECEITA MÉDICA









Esculturas eróticas em templos hindus de Khajuraho, sec.X
- proíbidas na Ucrânia

(fotos daqui)

(2009)

11 July 2009

O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (XVI)

Laurinda Alves




"Se for dar um passeio pela praia e se for nas minhas conversas com Deus, muitas vezes 'falo' em inglês. Sei que é uma coisa completamente absurda, para a qual não tenho explicação. (...) Deus é multilingue, mas talvez perceba que o inglês é mais incisivo para certas coisas (Laurinda Alves, em entrevista ao "Sol")

Virtualmente impossível de acompanhar exaustivamente, tal é o inesgotável caudal da sua produção filosófica, Laurinda - para além destas reflexões sobre linguística e teologia - dá-nos também a conhecer o Father Stan e os "off-shores acima das nuvens" que são do Ruy Belo mas podiam perfeitamente pertencer ao O'Neill. Ou até ao Fernando Pessoa.



(2009)
AFINAL, A GRIPE ATÉ VEM A CALHAR



"Em tempo de crise, há quem receie que as empresas se aproveitem do risco de contágio para dispensar por uns dias os trabalhadores e poupar nos ordenados. A fraude seria ainda mais 'tentadora' se os custos do absentismo fossem suportados pelo erário público".

"Não há meios para mais esta despesa. Se necessário, iremos para tribunal; mas não vamos arcar com os custos" (Francisco Van Zeller, presidente da CIP)

"O impacto do absentismo pode ser devastador. Estamos à beira de um desastre económico" (José António Silva, presidente da Confederação de Comércio e Serviços)
(todas as citações do "Expresso" de hoje)

A pouco e pouco, o cenário vai ficando mais claro: todos os anos, no mundo inteiro (já foi dito e repetido mas, pelos vistos, há que insistir...), a gripe "comum" provoca 3 a 5 MILHÕES DE CASOS DE DOENÇA GRAVE e 250 000 a 500 000 MORTES. Nunca houve previsões de encerramento de escolas, empresas ou serviços em massa, devido ao "receio de contágio". Desta vez - com a histeria (só imbecil ou imbecil e conivente) dos media a ajudar -, a coisa até pode dar jeito.



Por outro lado, há dois anos, havia quem estivesse preocupado:

BASEL, Switzerland (Reuters) – Roche Holding AG (ROG.VX) expects 2007 sales of its Tamiflu drug to governments and other organizations building stockpiles in the event of a pandemic to be lower this year than last. The Swiss drugmaker on Wednesday predicted pandemic sales of 0.8 billion to 1.2 billion Swiss francs ($640-960 million) for the influenza medicine, down from 1.8 billion in 2006, according to an investor presentation on the company’s web site. Pandemic sales accounted for 70 percent of all Tamiflu revenues last year. (aqui)

Agora, as perspectivas devem já ser bastante mais risonhas.

E, procurando bem, descobre-se sempre mais peças para juntar ao puzzle: aqui, aqui, aqui e aqui, por exemplo.

edit: número de mortes por gripe A, no mundo - do cinzento mais escuro (100+) ao verde (0); total confirmado pela Organização Mundial de Saúde: 429 (daqui)



(2009)
COMO DIZ O OUTRO, "ESTA GENTE É UM NOJO!"


Brevemente também no ensino superior

"Os trabalhadores que frequentam o programa Novas Oportunidades não estão a conseguir os seus objectivos em termos profissionais, revela um estudo da Universidade Católica. Este estudo apurou que não estão a existir benefícios imediatos na carreira profissional para os que estão integrados neste programa, que também não está a apresentar vantagens na melhoria do local de trabalho. Os investigadores entendem mesmo que se está a verificar um alheamento por parte das pequenas e médias empresas, uma disfunção que, na opinião do coordenador deste estudo, tem de ser corrigida. Roberto Carneiro sublinhou mesmo que existe o 'grande desafio de qualificar os empresários e gestores das pequenas e médias empresas' e que 'talvez seja necessário novas oportunidades para esse escalão de pessoas'. (daqui)



Isto convém sempre ser traduzido porque nem todos dominam o idioma:

1) Através da farsa das "Novas Oportunidades", ludibria-se umas centenas de milhares de desprovidos de habilitações mínimas, com o isco de que, em semanas/meses, facilmente se adquire aquilo que, habitualmente, demora seis, nove ou doze anos a conseguir (e, mesmo assim, com o resultado das "qualificações" miseráveis que se conhece): "é na 'escola da vida' que se aprende o que, realmente, interessa e quem diz o contrário só pode ser 'elitista' ou 'preconceituoso'" - e há que acelerar o processo porque a estatística não espera;



2) Quando o recém-"graduado", orgulhosíssimo com o seu "diploma" de papelão, se apresenta à porta do putativo futuro empregador e, perplexo, vê que este se lhe ri na cara, isso acontece por que motivo? Porque "existe uma disfunção que tem de ser corrigida"!... Isto é, o empregador ignora tudo sobre as miraculosas virtudes regeneradoras das "Novas Oportunidades" e é ele que precisa de ser "reeducado".

3) Qual, então, a sábia solução que o ilustre apoiante da candidata Laurinda propõe? "Novas Oportunidades"-para-gestores que os convençam, de uma vez por todas, a ver a Luz e a oferecer emprego aos "diplomados-instantâneos". É no que dá a política frequentadora assídua do bordel das "ciências" da Educação.

(2009)

10 July 2009

UM GAJO VAI AO YOUTUBE
À PROCURA DO QUARTETO "DISSONANCE",
DO MOZART, E CHOCA DE FRENTE
COM THE AIRBORNE TOXIC EVENT







... com civilizada polémica entre a Pitchfork e a banda e tudo.

(já agora, o "Dissonance" está aqui e a partitura aqui)

(2009)
REGINA SPEKTOR (IV)















(2009)
CONTRIBUTO DE LAURIE ANDERSON
PARA OS GRANDES DEBATES EM CURSO




(2009)

09 July 2009

REGINA SPEKTOR (III) - "US"



(2009)
ENGENHARIA



Tortoise - Beacons Of Ancestorship

Os Tortoise são o género de banda cuja música é muito mais fácil de admirar do que de verdadeiramente amar. Exercita-se a vénia perante a evidentíssima inteligência presente na concepção e concretização de cada álbum e de cada peça musical, é impossível não reconhecer o quanto a noção – teórica e prática – de arquitectura sonora é indissociável do processo de criação de (actualmente) John McEntire, Doug McCombs, Jeff Parker, Dan Bitney e John Herndon, presta-se, sem favor, homenagem à forma como souberam filtrar quase tudo o que era o excesso calórico do prog-rock e, via-kraut e métodos de liposucção afins, lado a lado com os Gastr Del Sol, Labradford ou Stars Of The Lid, inventaram aquilo que, posando para a História, Simon Reynolds designou como pós-rock. Tudo isso é verdade, mas escuta-se os Tortoise como se aprecia uma magnífica obra de engenharia: impressiona mas – a menos que fossemos os seus autores – dificilmente faríamos dela uma causa.



Conversar com Doug McCombs também não ajuda muito a mudar de opinião. Confirma a herança "prog" matizada de jazz e pós-punk; acrescenta os previsíveis tópicos do género "em estúdio, por vezes, temos apenas um ritmo ou uma melodia; depois, funcionamos em comité, aprovando ou rejeitando as várias sugestões individuais"; admite períodos de bloqueio e confessa que "chegamos a deitar fora mais de 90% das ideias iniciais à espera do momento em que sentimos ter encontrado a porta de saída certa"; e, claro, não renega a etiqueta que Reynolds lhes colou mas assegura que o que fazem não deixou, por isso, de ser menos rock. E di-lo, de um modo, sem dúvida, afável, mas também ele bastante distante do que se poderia caracterizar como... entusiástico.



Beacons Of Ancestorship, então, confere: apesar de, aparentemente, decorrer de uma deliberada intenção de maior imediatez e urgência rítmica e sonora – isto é, maior predominância ao "rock" em detrimento do "pós", mas sem excessivas cedências –, ainda não será desta vez que se poderá verdadeiramente proclamar que os Tortoise abdicaram de ter como alvo essencial o córtex pré-frontal do seu público e pensaram em dirigir o tiro um pouco abaixo da cintura. Detectam-se, aqui e ali, jogos de toca-e-foge com a música africana e (afro)brasileira, uma ou duas alusões proto-“orientalistas”, o músculo dos riffs de baixo, guitarra e sintetizadores está claramente mais tonificado, porém, nada que autorize o veredicto de que, cinco anos depois de It’s All Around You, o quinteto de Chicago optou por mudar de pele e ensaiar um rumo estético pronunciadamente diverso do que lhe conhecemos. É um bom álbum? Claro que sim. No cânone-Tortoise, um clássico? Muito provavelmente, não. Isso é terrivelmente grave? Também não. Mas um pouco de maior interacção entre os dois hemisférios cerebrais era bem capaz de não lhes fazer mal nenhum.

(2009)
MANIFESTAÇÃO DE CANDIDATOS
À PASTA DA ECONOMIA




"Cerca de duas centenas de estivadores protestaram esta quarta-feira em frente à Assembleia da República, dirigindo insultos graves ao primeiro-ministro e procedendo ao rebentamento de petardos. 'Sócrates, escuta, és um filho da p...' ou 'Sócrates não cumpriu, vai para a p... que te pariu', são alguns dos insultos proferidos pelos estivadores contra o primeiro-ministro, a quem chamaram também 'fascista'. A PSP já identificou alguns dos autores dos insultos contra o primeiro-ministro e responsáveis pela utilização de petardos". (aqui)

(2009)

08 July 2009

JARVIS COCKER vs MICHAEL JACKSON
(1996-2009)




Jarvis Cocker invaded the stage at the 1996 BRIT Awards in a spur of the moment protest against Michael Jackson's performance. Jackson performed surrounded by children and a rabbi, while making 'Christ-like' poses and performing his then-recent hit, "Earth Song". Cocker and his friend Peter Mansell (a former Pulp member) performed an impromptu stage invasion in protest. In the ensuing confusion, as security attempted to eject Cocker from the stage, three child performers received minor injuries. Cocker was later detained and interviewed by the police on suspicion of assault. He was subsequently released without charge. Opinions from the press on Cocker's actions were mixed.



The March 2, 1996, edition of Melody Maker, for example, suggested Cocker should be knighted, and Cocker's friend Noel Gallagher, of Oasis fame claimed "Jarvis Cocker is a star and he should be given an MBE". Gallagher is also quoted as saying of Jackson's behaviour "For Michael Jackson to come over to this country after what's all gone on - and I think we all know what I'm talking about here - to dress in a white robe, right, thinking he's the Messiah - I mean who does he think he is? Me?" However, other journalists and the organisers of the BRIT Awards were outraged by Cocker's behaviour. In response to the ensuing media scrutiny of the action, Cocker responded, "My actions were a form of protest at the way Michael Jackson sees himself as some kind of Christ-like figure with the power of healing... I just ran on the stage... I didn't make any contact with anyone as far as I recall". (daqui)

(2009)
REGINA SPEKTOR (II)















(2009)
"PLENITUDE", SEMPRE, SEMPRE,
SEMPRE MAIS ALTO! (II)




A parceria IURD/"Público"/Sonae/José Sócrates não acontece por acaso. Nasce, sim, de um interesse comum: a comunicação social, os novos media, a informação global. Uma espécie de Frente Unida entre Plano Tecnológico e Plano Teológico. Como explica a edição online da "Revista Plenitude" brasileira, por ocasião da comemoração dos 32 anos da Igreja Universal do Reino de Deus, para o seu "crescimento, o uso das tecnologias da informação tem sido fundamental tanto no Brasil quanto no exterior. As mídias impressas, televisivas, radiofônicas e digitais não são novidades para a IURD. (...) Na internet, a Igreja Universal de vários países tem o seu portal. No Brasil, foi lançado, em 2001, o Arca Universal, que vem conseguindo, mensalmente, através do seu complexo, mais de 25 milhões de 'page views' (acessos), atingindo o topo entre os portais evangélicos.



Além das mensagens à luz da Bíblia e do conforto espiritual, o portal tem espaço para notícias de entretenimento, cultura, esporte, saúde, mercado de trabalho, beleza, tecnologia, entre outros. Na TV, o primeiro programa da Igreja Universal, no final da década de 70, foi 'O Despertar da Fé', na extinta TV Tupi, canal 6, no Rio. Hoje, a IURD possui programações diárias em diferentes horários e emissoras de televisão, como Rede Record, Rede TV, Rede Família, Gazeta e CNT. Entre os programas evangélicos, destacam-se: 'Vencendo a Crise', referente ao congresso empresarial da Reunião dos 318 *, 'Santo Culto em Seu Lar', 'Ponto de Luz', 'Fala que eu te Escuto', 'Terapia do Amor', 'S.O.S. Espiritual', 'Jejum dos Impossíveis', 'Desafio da Cruz' e 'Nosso Tempo'"
.

* além do mais, estas estratégias anti-crise ("Não é novidade que a crise financeira mundial tem atingido diversos setores da economia brasileira. As estimativas para o crescimento da economia em 2009 estão pessimistas. Não se sabe ainda a dimensão da crise e suas consequências. Mas, para o povo da Nação dos 318, ela não terá efeito em suas vidas") são óptimas.

(2009)

07 July 2009

REGINA SPEKTOR (I) - "BLUE LIPS"



(2009)