(JPP em CdO)
17 June 2026
(sequência daqui) "Embora tivesse esperado ter tudo resolvido no terceiro álbum e na minha terceira década de vida, acabei por aceitar que talvez uma parte de ser humano seja ser uma obra em constante evolução. Será que esta coleção de canções é suficiente? Se acender uma faísca e lançar um pouco de luz para quem alguma vez sentiu o corpo vacilar, o amor vacilar ou o tempo a escapar-lhe por entre os dedos, então isso é suficiente para mim". E acrescentou: "Não queria que parecesse uma coisa completamente sólida e perfeita. Nunca é mais do que um instantâneo do momento em que nos encontramos". A faixa de abertura, "Matches" - sobre os históricos julgamentos das "bruxas" - é esclarecedora: "Quis transmitir raiva e dar voz aos milhares de mulheres que foram mortas naquela época". Demonstração dessa tese a meio do percurso do texto é assaz elucidativa: "They weren't burning witches, It was women on those fires". e a resposta que, 4 versos abaixo, colhe, ainda muito mais: "And you, you will rise with the moon, and show what scorn can do, don't they know that we have matches too?"
14 June 2026
"Lá tout n'est qu'ordre et beauté, luxe, calme et volupté"
(Charles Baudelaire de "L’Invitation au voyage" in Les Fleurs du Mal, 1857)
Luxe, Calme et Volupté - Henri Matisse, 1904.
UM INSTANTÂNEO DO MOMENTO
Não são muitas mas há que prestar-lhes atenção. Falo das referências ao facto de Katherine Priddy ter dedicado boa parte do ano passado a participar na digressão Flying With Angels, de Suzanne Vega. Não só lhe fica muito bem no currículo ainda curto mas absolutamente imaculado, como não será, certamente, inferior à sensação que, em 2018, experimentou ao saber que, na "Mojo", Richard Thompson considerara o seu EP de estreia, Wolf, o melhor disco que escutara nesse ano. Aprender com os mestres foi, pois, aquilo de que Priddy desejou prestar contas nos belíssimos The Eternal Rocks Beneath (2021) e The Pendulum Swing (2024). “Queria terminar este álbum com um ponto de interrogação”, disse agora Priddy à "KLOF Mag" a propósito do último These Frightening Machines. "Embora tivesse esperado ter tudo resolvido no terceiro álbum e na minha terceira década de vida, acabei por aceitar que talvez uma parte de ser humano seja ser uma obra em constante evolução". (daqui; segue para aqui)
13 June 2026
Vá lá... pelo menos, "sotor fascista", "sotor burro" ou "sotor maluco", para não magoar o "sotor taberneiro" (via MdO)
Edit (16:48) - ... entretanto...
11 June 2026
"Remenanuèch"
(sequência daqui) Logo na faixa de abertura, “Remenanuèch”, estabelece-se a tonalidade global com uma intensidade quase punk, narrando a domesticação de um drac (dragão) metamórfico. “Adissiatz Palhassonaira” conduz o diálogo vocal do duo para um território no qual cada cantora se ocupa de melodias e textos diferentes antes de convergirem numa micro-coda translúcida. “Au Nòst’ Casalòt” intensifica ainda mais a experiência com percussão como um metrónomo de metal corroído. “Jana D’Aimet”, última faixa e clímax absoluto do disco, é uma composição monstruosamente exigente em que passagens solenes irrompem em explosões vocais extáticas. Dufau e Fraysse gargalham, murmuram e uivam como se evocassem algo antigo e perigoso sob a superfície ardente da música. Produzido em conjunto com o visionário catalão Raül Refree, as Cocanha haviam imediatamente antes publicado o álbum 4132314 em colaboração com os catalães Los Sara Fontan e Tarta Relena, no qual prestam homenagem às trabalhadoras da antiga fábrica têxtil de Barcelona, Fabra i Coats: através de padrões numéricos de tecelagem, traduziram os números em estruturas rítmicas e frases melódicas, articulando-as com canções tradicionais de trabalho. A tal actividade muito pouco apreciada no Pays de Cocagne.
10 June 2026
Recorde para o "Guinness" de criaturas a cabecear perante lenga-lengas repletas dos chavões patriótico-camonianos do costume e uma ou outra "resiliência"... e nem uma referenciazinha à gloriosa tribo dos gebos do ludopédio que, em breve, partirá para oh quão terríveis refregas!...
“Apenas o mastro em que a bandeira é hasteada e o vento. Nenhuma bandeira”
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